Renault Zoe Z.E. 40: o elétrico para todos os dias?

Abandonámos o pára-arranca da capital e partimos em direção a Óbidos ao volante novo Renault Zoe Z.E. 40, que chega a Portugal no próximo mês. Estas são as nossas primeiras impressões.

Passaram mais de quatro anos desde que foi apresentado o Renault Zoe. Na altura com uma bateria de 22 kW e uma autonomia anunciada de 210 km – que em condições normais se aproximava mais dos 160 km – o Zoe pretendia ser uma espécie de segundo carro de família, capaz de satisfazer as necessidades do quotidiano de boa parte dos condutores.

“É possível fazer uma viagem “normal” Lisboa-Porto ao volante do Zoe sem parar?”

Hoje, volvidos quatro anos de inovação tecnológica não só na marca francesa mas em toda a indústria, a Renault renova aquele que é o seu grande trunfo nesta aposta pela mobilidade elétrica. O novo Renault Zoe surge equipado com a bateria Z.E. 40, que duplica a autonomia do seu antecessor para 400 km NEDC, valores que na prática se traduzem em 300 km em utilização real urbana e extra-urbana.

Com este Zoe, a Renault pretende provar que os tempos são outros: apesar de ser um veículo elétrico, já ninguém fica refém da cidade (nem da tomada elétrica). Será mesmo assim?

Nova bateria Z.E. 40: a grande novidade

Este é de facto o ponto forte do novo Zoe. A Renault conseguiu duplicar a capacidade da bateria do Zoe para 41 kWh – a nova bateria Z.E. 40 permite (teoricamente) percorrer distâncias duas vezes mais longas com um único carregamento. Tudo isto sem comprometer as dimensões e o peso da bateria. A Renault garante que este é o veículo 100% elétrico com maior autonomia atualmente à venda no mercado.

Quanto ao carregamento, 30 minutos bastam para que o Zoe recupere 80 quilómetros de autonomia numa tomada convencional. No caso dos postos de carregamento rápido – que ainda são escassos nas autoestradas portuguesas – esses mesmos 30 minutos permitem uma autonomia suplementar de até 120 km. No extremo oposto, se optarmos por carregar a bateria numa tomada de corrente normal, são necessárias mais de 30 horas para atingir os 100% de carga.

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Outra das novidades são as duas novas aplicações que simplificam o carregamento nos postos de carregamento públicos. Com o Z.E. Trip – aplicação do sistema multimédia Renault R-LINK – o condutor tem à sua disposição a localização e identificação dos postos de carregamento públicos dos principais países da Europa, incluindo Portugal. Já a aplicação Z.E. Pass para smartphones, que chega a Portugal só em abril, permite comparar o preço dos carregamentos e efetuar o pagamento.

Em termos estéticos, o Renault Zoe Z.E. 40 mantém inalterado o design exterior concebido pelo francês Jean Sémériva.

Nesta nova versão, as novidades estão reservadas principalmente para o interior. O Renault conta agora com a versão topo de gama Bose, que inclui novas jantes de 16 polegadas em preto diamantado, bancos dianteiros aquecidos, estofos em pele e um sistema de som composto por sete altifalantes.

De resto, o Zoe continua a apresentar materiais que embora não sendo muito agradáveis ao toque, revelam uma montagem suficientemente rigorosa para o segmento em questão.

Sensações ao volante

Conhecidas as novidades do mais recente Zoe, chegou a vez de nos sentarmos ao volante do elétrico francês. “Forget the battery”, diziam-nos os responsáveis da Renault à saída do parque de estacionamento. E assim foi.

Abandonámos o pára-arranca da capital e partimos em direção a Óbidos pelas estradas da zona Oeste, em ritmo de passeio e numa condução descontraída. Devido à disposição das baterias junto ao solo, a posição de condução continua a ser um pormenor a rever.

Embora estivesse um pouco fora do seu habitat natural, o Renault Zoe mostrou ser capaz de se soltar e comportar-se com um citadino comum, especialmente com o modo ECO desligado.

O baixo centro de gravidade, a direção intuitiva e o chassis e suspensão adaptados às especificidades elétricas fazem deste um modelo ágil e agradável de conduzir, mesmo nas estradas mais sinuosas. O motor elétrico R90 de 92 cv de potência fornece, numa fração de segundo, um binário máximo de 225 Nm, permitindo acelerações fluídas e lineares nos regimes mais baixos e nas subidas mais acentuadas. Por outro lado, algumas situações – como as ultrapassagens – exigem algum planeamento.

Durante a merecida pausa para almoço, deixámos o Zoe a carregar, e à vinda, já pela autoestrada, pudemos testá-lo em ritmos mais acelerados. Mesmo à velocidade máxima de 135 km/h, o Zoe continua competente e cumpridor.

No que toca à bateria, não há milagres – à chegada a Lisboa a autonomia já tinha reduzido para metade. Ainda assim, para um modelo que naturalmente não foi pensado para longas viagens em estrada aberta, o Renault Zoe não desilude.

Respondendo à questão “é possível fazer uma viagem “normal” Lisboa-Porto ao volante do Zoe sem parar?”. Temos dúvidas. Porque como dissemos, em autoestrada as baterias esvaziam com rapidez. A menos que não tenhas pressa nenhuma.

Considerações Finais

É cada vez mais um elétrico para todos os dias? Sim, mas não para toda a gente, como a própria Renault faz questão de referir. Os 300 km anunciados já serão suficientes para reduzir a inevitável ansiedade com a autonomia ao conduzir um veículo elétrico, sendo o Zoe ideal para quem tem acesso fácil a postos de carregamento ou alguma paciência (e condições) para o fazer em tomadas domésticas.

Se pensarmos num citadino espaçoso, de condução agradável e em que apenas é necessário carregá-lo uma vez por semana, então o Renault Zoe Z.E. 40 cumpre o seu propósito. Apesar de custar mais 2.500€, o novo Zoe é sem dúvida um passo em frente da Renault neste mercado que promete tornar-se cada vez mais competitivo.

O novo Renault Zoe Z.E. 40 chega a Portugal no final do mês de janeiro com os seguintes preços:

ZOE Z.E. 40

P.V.P.

LIFE FLEX

24.650€

LIFE

32.150€

INTENS FLEX

26.650€

INTENS

34.150€

BOSE FLEX

29.450€

BOSE

36.950€

*FLEX: Aluguer das baterias: 69€ / mês – 7.500 km/ano; + 10€ /mês cada 2.500 km/ano; 5 cts /€ extra km; 119€/ mês com quilometragem ilimitada.

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