Porsche 968: o maior «quatro cilindros» do mundo

07/12/2016
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Mais do que uma evolução do 944, o Porsche 968 ficará na história por ter sido o último desportivo da Porsche com motor dianteiro.

“Conceber um carro como uma folha em branco não é mau. Se não tiveres nada que valha a pena manter”.

Estávamos no final dos anos 80. Depois do desenvolvimento das variantes 944 S em 1987 e 944 S2 dois anos mais tarde, os engenheiros da marca de Estugarda começaram a trabalhar ativamente num leque de upgrades para uma última versão, o 944 S3.

No final do projeto, a Porsche viu-se em mãos com um carro que preservava apenas 20% de componentes do 944 S2. As diferenças face ao modelo original eram tantas que a Porsche decidiu apresentá-lo em 1992 como um novo modelo. Assim nasceu o Porsche 968.

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Tal como o seu antecessor, o 968 estava disponível na carroçaria coupé e cabriolet. Em termos estéticos o Porsche 968 integrava linhas um pouco mais modernas, particularmente na dianteira. Os faróis escamoteáveis do 944 deram lugar a uma assinatura luminosa mais próxima do 928, antecipando de alguma forma a estética do 911 (993), lançado no ano seguinte. Mais atrás, mantinha-se o pequeno spoiler traseiro que ajudava ao downforce a altas velocidades.

Por dentro, habitáculo seguia as linhas e a qualidade de construção do 944. Os bancos com oito opções de regulação elétrica adaptavam-se à posição de cada condutor como uma luva.

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“Podíamos tê-lo lançado mais cedo, mas estávamos demasiado ocupados a registar as patentes”.

Tal como como no 944 S2, por baixo do capot do Porsche 968 encontrávamos um motor de quatro cilindros em linha com 3.0 litros de capacidade, o maior motor de quatro cilindros de sempre num modelo de produção. Este «straight-four» era um motor pouco ortodoxo, mas nem por isso menos eficiente: o sistema VarioCam, patenteado pela Porsche, melhorava a resposta a baixas rotações, tornando o motor mais “elástico”.

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Mas era acima das 4.000 rpm (até às 6.200 rpm) que os 240 cv de potência do Porsche 968 se faziam sentir. Embora fosse um desportivo capaz de ultrapassar os 250 km/h de velocidade máxima, quem o conduziu garante que a distribuição de peso quase perfeita e a suspensão melhorada faziam do 968 um carro bastante bem comportado e fácil de explorar. Uma excelente opção para carro do dia-a-dia e para aqueles fins-de-semana especiais…

Pela primeira vez, além da caixa manual de seis velocidades, estava disponível uma transmissão automática Tiptronic de quatro velocidades, como opcional.

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Em 1993, a Porsche lançou a versão 968 Clubsport, um «peso-pluma» mais direcionado para as performances puras. Ao contrário do que acontece atualmente com as variantes desportivas, o 968 Clubsport era inclusivamente mais barato que o 968 de série: a Porsche prescindiu de todas “mordomias desnecessárias”, como o sistema de som, vidros elétricos, ar condicionado, etc.

Resultado? Ficou mais barato. Hoje é ao contrário. Quanto menos equipamento as versões desportivas têm, mais custam. A exclusividade tem o seu preço.

Os bancos foram substituídos por baquets Recaro e a suspensão foi revista, colocando o 968 Clubsport 20 mm mais próximo do chão, além dos novos travões e pneus mais largos. No total, foi uma dieta de cerca de 100 kg, que se refletiu nas prestações: 6.3 segundos no arranque dos 0 aos 100 km/h e 260 km/h de velocidade máxima.

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Ao todo, entre 1992 e 95 saíram das linhas de produção de Zuffenhausen mais de 12 mil modelos, incluindo os modelo Clubsport e as versões exclusivas Turbo S e Turbo RS.

Foi um sucesso de vendas? Não propriamente, mas o Porsche 968 ficará para a história como o último desportivo da Porsche com tração traseira e motor dianteiro, numa geração de modelos que começou duas décadas antes com o 924, e que mais tarde viu nascer o 944.

Um novo Porsche com motor dianteiro só iria aparecer em 2003, com um modelo que foi tudo menos uma evolução do 968: a primeira geração do Cayenne. Quanto a nós, aguardamos com expectativa a chegada do «verdadeiro sucessor» do 968. Um automóvel equilibrado, performante, prático e bem construído. É pedir demais?

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