Os motores «pequenos» têm os dias contados?

Nos próximos anos podemos assistir a uma mudança completa do paradigma da indústria. Do «downsizing» para o «upsizing» dos motores.

De algum tempo a esta parte, têm sido muitas as marcas a apostar em motorizações de três e, em alguns casos, dois cilindros (é o caso da Fiat) para equipar os seus familiares, utilitários e citadinos. E se é verdade que estes motores têm conseguido passar “pelos pingos da chuva” nos testes de laboratório, em condições reais de condução a história pode ser outra.

O problema das marcas é que já a partir do próximo ano, os novos modelos irão começar a ser submetidos a testes de emissões em estrada ao óxido de azoto (NOx), sendo esta medida obrigatória a partir de 2019. Dois anos depois, os consumos de combustível e emissões de dióxido de carbono (CO2) vão também passar a ser testados em condições reais.

golf teste emissões 1

Então, qual a solução para este problema? Fácil, «upsizing». Para Thomas Weber, chefe do departamento de pesquisa e desenvolvimento da Mercedes-Benz, “tornou-se aparente que os motores mais pequenos não têm qualquer vantagem”. Recorde-se que a marca alemã não tem nenhum motor com menos de quatro cilindros.

Outra das marcas que tem estoicamente resistido ao «downsizing» tem sido a Mazda. É das poucas marcas (senão a única) que concorre no segmento B com um grande (mas moderno) motor 1.5 litros de quatro cilindros. Também a Peugeot, que já começou a testar os seus modelos em condições reais, tomou a decisão de não baixar a cilindrada dos motores que são transversais a toda a gama abaixo dos 1.200 cc.

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Entre as marcas que podem estar em apuros com o upsizing dos motores, uma delas é a Renault – recordamos que um dos principais modelos da marca francesa, o Clio, dispõe de um dos motores mais pequeno do segmento (hat tip ao Nuno Maia no nosso Facebook), um 0.9 litros turbo de três cilindros.

Face a este problema e de acordo com a Reuters, a Renault, está a preparar-se para descontinuar os motores mais pequenos na sua gama nos próximos três anos. À margem do Salão de Paris, Alain Raposo, responsável pelas motorizações da aliança Renault-Nissan, confirmou a decisão: “As técnicas que usamos para reduzir a capacidade dos motores vão deixar de nos ajudar a cumprir as normas de emissões. Estamos a atingir os limites do downsizing“, garante.

À semelhança da marca francesa, também a Volkswagen e a General Motors poderão seguir o mesmo caminho, e espera-se que num futuro próximo outras marcas avancem para o «upsizing» dos seus motores, o que poderá significar o fim dos motores Diesel abaixo dos 1500 cc e a gasolina com menos de 1200 cc.

Fonte: Reuters

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