BMW X4 M40i: ao volante de um tenor halterofilista com 360 cv

 

BMW X4 M40i – 360 cv | 0-100 km/h: 4,9 seg. | 250 km/h vel. máxima

Ao volante de um halterofilista com 360 cv


Música. Dizia Oscar Wilde que é a forma de arte mais perfeita, porque não revela o seu último segredo. Estava o autor irlandês longe de imaginar que no futuro, o automóvel, que ainda era algo que dava os “primeiros passos” no seu tempo, seria uma potencial fonte de prazer auditivo – um verdadeiro petrolhead sabe do que falo, porque sim (inserir som chocante), há quem seja indiferente ao som de um motor.

Nesta “guerra” dos SUV que tem vindo a preencher o mercado automóvel com modelos e variantes para todos os gostos e feitios, há sempre espaço para as versões apimentadas e o BMW X4 M40i é isso mesmo.

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O mais potente da gama X4 saiu da divisão desportiva M, a quem foi atribuída a responsabilidade de levar um pouco mais de emoção até ao estômago daqueles que estão entregues a compromissos de versatilidade, espaço, ou simplesmente gostam do conceito SUV e todas as suas derivações exóticas.

Exterior e o “primeiro impacto”

O BMW X4 é um baby-X6 e isso demonstra-o logo à primeira vista. À excepção daquilo que já conhecemos do carro ao nível do design, o que salta, eventualmente, à vista dos mais atentos são as jantes de 20 polegadas e a designação do modelo na traseira “M40i”.

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De resto nada nos permite dizer: “aqui está um SUV que é meio segundo mais lento do que o novo BMW M2 no sprint dos 0-100 km/h”. A panaceia visual dos modelos M não mora aqui, não há quatro saídas de escape ou entradas de ar maiores do que o teu quarto, ou mesmo fibra de carbono à vista. O BMW X4 M40i é discreto o suficiente para enganar o comum dos mortais e é mesmo esse o objetivo. A não ser que esteja ligado…e em movimento.

Start

Ainda dentro do parque carrego em Start (somos cada vez menos a “dar à chave” nos dias que correm…) e sou brindado com um grunhido seguido de um “estalo”. Tive de conter a minha reação, até porque estavam mais pessoas por perto e isto de ser petrolhead pode levar a manifestações um bocado embaraçosas…a minha reação foi mais ou menos esta.

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Como se comporta?

Uma das primeiras notas que vou registando é que o feeling da direção está lá “algures”, ainda que esta não deixe de ser um bom compromisso entre uma utilização diária e as aventuras por aquela estrada mais desafiante. A direção eletromecânica faz uma boa gestão do estilo de condução, mas não é suficiente para convencer, está demasiado filtrada. Se bem que aqui esta percepção possa mudar de condutor para condutor, chamem-lhe preciosismo, não me deixo ofender.

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A distribuição da tração pelas quatro rodas faz-se colocando mais tração atrás do que à frente, de uma forma mais acentuada do que no resto da gama X4. Foram feitas também alterações significativas ao sistema eletrónico de vetorização do binário, tudo isto com o objetivo de melhorar a agilidade.

O motor é excelente, sem dúvida, a suspensão adaptativa também, mas a caixa não lhes fica atrás: a caixa Steptronic de 8 velocidades que equipa o BMW X4 M40i é rápida, precisa e responde a um toque nas patilhas do volante à mesma velocidade que se acende uma luz. A melhor parte é deixar-nos levar o regime de rotação até ao redline (7000 rpm) libertando todo o esplendor deste seis cilindros em linha.

Não tenho dúvidas: o BMW X4 M40i é um SUV para percorrer uma estrada com boas curvas ou uma autoestrada confortavelmente e com muito fôlego “para gastar”: 360 cv, 465 Nm de binário entre as 1350 e as 5250 rpm, 4,9 seg. dos 100 km/h e 250 km/h de velocidade máxima.

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Apesar de ser um SUV de proporções generosas (ainda que mais pequeno do que o X6, naturalmente) e pesar 1840 kg, sente-se “justo” e capaz de curvar no limite sem um significativo rolamento da carroçaria (estarei a mudar de ideias?) Mas melhor do que isso é fazermos tudo isto acompanhados por uma banda sonora deliciosa. Aquele túnel? Não há hipótese, vais querer fazê-lo com “todos os molhos” – rádio desligado (nem me lembro se tinha rádio…) modo Sport Plus com as ajudas em OFF, janelas ligeiramente abertas e silêncio que o tenor halterofilista vai mostrar o seu músculo com toda a galhardia.

E o interior?

Uma nota para o interior e comandos, onde a sigla M está espalhada um pouco por todo o lado, desde o volante às soleiras das portas dianteiras. Fora estes detalhes, não deixa de ser um interior bastante similar ao dos outros X4 e claro, versátil: há lugar para cinco e 500 litros de capacidade lá atrás.

 

É confortável, o volante é excelente (soberbo?) e a qualidade geral dos materiais é muito boa, com (preparem-se para o cliché…) plásticos macios colocados em zonas onde apenas um atrevido teria coragem de meter a mão.

Está à altura do desafio?

Sempre fui muito céptico em relação ao conceito de “SUV desportivo” ou “SUV de alta performance”. Porque esse upgrade, quase sempre excessivamente caro, não os leva a cumprir devidamente nenhuma das funções que lhes quiseram atribuir. Se um SUV é suposto ser confortável, prático e permitir uma saída de estrada tímida quando o “rei faz anos”, com jantes de 20 polegadas, suspensão desportiva e pneus mais caros do que aquelas férias nas Maldivas com tudo incluído, o cenário muda logo de figura.

E claro, se pretendem que ele seja um exemplo de performance e músculo nunca o conseguirá ser tão bem quanto uma “berlina desportiva”, isto falando de automóveis com 5 lugares. São pesados e suficientemente altos para que curvar a determinadas velocidades seja tão assustador para os ocupantes como o dia em que foram dar uma volta naquela montanha russa que dava, pelo menos, uns 20 loopings. Estes SUV são capazes de o fazer, mas não repitam, ok?

Pensamentos finais…

Entrego o BMW X4 M40i depois de uma semana a fazer a minha vida com ele, porque não há, a meu ver, melhor forma de testarmos este tipo de automóveis. Não tive de fazer alterações em nada, mas claro que o ponteiro do combustível baixou muito mais rapidamente do que o habitual, não há milagres: conseguir médias de 9 l/100 km é um desafio e se nos esticarmos “naquela estrada”, podemos contar com, pelo menos, o dobro.

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Consumos à parte, o BMW X4 M40i é divertido, prático, tem um pulmão de atleta olímpico e músculo para dar e vender. Pelo caminho, presenteia-nos com uma bela sinfonia, uma voz que espanta por onde passa e aparentemente (pois ainda não os testei) está à altura dos rivais Porsche Macan GTS e Mercedes GLC Coupé 43 AMG. Já o seu aspeto “semi-M” deixa-o esconder uma série de segredos. E eu gosto disso.

*Os dados apresentados na ficha técnica são os oficiais, disponibilizados pela marca.

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