O futuro pertence aos motociclistas?

Será que as motas vão ser o último bastião da velocidade e liberdade na estrada? Provavelmente.

Os carros estão cada vez mais inteligentes, mais autónomos, e por conseguinte a um passo da emancipação total do elemento humano – talvez valha a pena visitares um artigo que escrevi em 2012 a propósito desta temática. Uma emancipação que trará enormes benefícios para a sociedade (redução da sinistralidade, diminuição do trânsito e do tráfego urbano) e claro, desafios para a indústria automóvel na mesma medida – será que no futuro vais ter carro ou vais partilhar carro? Toda a indústria automóvel anda “às aranhas” com estas e outras questões.

Porém, nem tudo são rosas. O prazer de condução, a liberdade que só aquela estrada feita naquele carro nos oferece, aquela curva e aquelas noites de verão a conduzir rumo a destino incerto avizinham-se cada vez mais coisas do passado. Um romantismo. Tal como um dia o automóvel expulsou os cavalos e carruagens da estrada, dentro em breve será o automóvel moderno a tomar as rédeas da condução e a expulsar os humanos do volante. Duvido que daqui a 10 anos ou 15 anos haja lugar na estrada para as distrações e exageros típicos da nossa espécie. Acreditem, os carros autónomos vão tomar conta das estradas e nós vamos passar de condutores a passageiros. Eles já andam aí

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Mas se isto são más notícias para os amantes das quatro rodas, por outro lado são música para os ouvidos dos motociclistas. Os motociclistas têm sido um dos maiores beneficiados com a evolução do automóvel. Os avisos de mudança de faixa de rodagem, os detetores de ângulo morto, a travagem automática em caso de colisão, são tudo exemplos de sistemas que certamente já pouparam muitos dissabores a motociclistas e “enlatados”. E com a democratização da condução autónoma os motociclistas vão dizer “adeus” definitivo às mudanças de trajectória dos automóveis sem pisca, às ultrapassagens em locais pouco adequados, às distracções e às colisões porque “desculpe, estava a mexer no telemóvel”. Em suma, os carros não vão depender de ninguém e os motociclistas só vão depender de si. As estradas vão ser mais seguras que nunca para a rapaziada dos casacos de cabedal.

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Um paraíso de curvas e contra-curvas prontos para serem explorados sem variáveis externas para além dos temíveis buracos que crescem como cogumelos nas nossas estradas. É seguro afirmar que uma parte significativa dos acidentes rodoviários envolvendo motociclos se deve a distracções por parte dos condutores dos automóveis. Assim, neste cenário de controlo absoluto do automóvel pelo automóvel, é muito provável que as motas se venham a afigurar como o derradeiro veículo para saciar a ânsia humana por velocidade e emoções fortes – o nosso ópio lembras-te? Os carros como os conhecemos têm os dias contados, mas as motas não.

Além do mais as motas estão cada vez mais seguras. Já se aproximaram de alguma superbike atual? São autênticos compêndios tecnológicos. Sistema anti-whellie (vulgo anti-cavalinho), controlo de tração, ABS e mais um sem fim de acelerómetros comandados por complexos algoritmos que nos enganam e nos deixam com a sensação que podíamos discutir umas curvas com o Miguel Oliveira ou com o Valentino Rossi, tal não é a sensação de controlo que estes sistemas oferecem em máquinas que superam os 200cv de potência.

Cavalos no hipódromo. Automóveis no autódromo. E motas nas estradas? Muito provavelmente. É esperar para ver…

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