Quando o teu carro não quer saber de ti… e tu gostas

Há dias em que estou farto dos piiis, pápápás, luzes e luzinhas por tudo e por nada.

Voltei a encontrar-me com o Mazda MX-5 da primeira geração. O sacana do carro – tanto quanto um carro pode ser sacana… – está-se olimpicamente nas tintas para mim. “Não puseste o cinto? Azar. Deixaste as luzes ligadas? Paciência. E já agora, não tranques tu as portas e depois queixa-te que amanhã não estou cá e fui fazer peões com um marginal ao volante…”.

Estou a adorar a experiência – e sim, tranquei as portas… -, até porque sei que isto não vai durar para sempre (mas já lá vamos…).

Os automóveis atuais estão tão preocupados em manter-nos vivos que quase nos tratam como crianças. Uma preocupação constante em forma de sons irritantes “piiiii, atenção que vais bater!!!”, “piiii, atenção que saíste da faixa de rodagem”, “piiiiiiiiiiiiiiiiiii por-tudo-e-por-nada” – imagina aqui um emoji com cara de enjoado. Na prática, é como ter a nossa avó sempre sentada ao nosso lado “ai filho que vais bater!”.

Já para não falar nas ajudas electrónicas como o controlo de tração e o controlo de estabilidade…

A NÃO PERDER: 14 concepts da Bertone que vais querer colar na parede do teu quarto

Às vezes precisamos de liberdade e os carros de outros tempos oferecem-nos isso: li-ber-da-de. É por isso que apesar de curvarem pior, gastarem mais, travarem menos, andarem pouco, e serem potencialmente mortais em caso de acidente continuamos a conduzi-los com um sorriso no rosto.

É estúpido? Não, é fantástico… Naturalmente, se tivesse de andar num clássico ou pré-clássico todos os santos dias, não ia achar tanta piada à falta de preocupação do meu carro. Mas para isso é que existem os carros modernos.

Entretanto ontem à noite estava sem sono, e apeteceu-me ir dar um passeio pela marginal de Lisboa. Entre as chaves do meu carro e as chaves do Mazda MX-5 NA adivinhem em quais é que peguei… Acertaste, a minha “avó” ficou em casa.

Segue a Razão Automóvel no Instagram e no Twitter

Pub