Mulheres nos salões de automóveis: sim ou não?

É o terceiro ano consecutivo que a Razão Automóvel vai ao Salão de Genebra. De ano para ano, algo está a mudar no salão helvético. Talvez não seja apenas no salão, talvez seja um fenómeno mais extenso…

Vamos recuar três anos. Há três anos atrás, nos dias reservados à imprensa, o Salão de Genebra estava povoado de mulheres bonitas e automóveis de sonho. Regressando ao presente, há o mesmo número de automóveis de sonho (felizmente…) mas menos mulheres bonitas. Infelizmente? Depende do ponto de vista…

Uma coisa é certa: não há dúvida que os tempos mudaram. Estamos numa fase de transição e há duas facções: aquela que defende que a presença de modelos femininos nos salões é algo completamente datado, porque o papel da mulher na sociedade evoluiu; e há outra fação que defende que apesar da mulher ter hoje um papel mais relevante na sociedade, não há nenhuma incompatibilidade com a presença das mesmas nos salões.

Uns defendem que é um uso abusivo do corpo da mulher e uma subjugação ao homem (elas de vestido, eles de fato a comprar carros); outros defendem que um elogio à sua beleza e uma mais valia na atração do público. Quem tem razão? Não há uma resposta certa ou errada.

O que é certo é que, aos poucos e poucos, as profissionais do salto alto (escapa-me a definição em inglês) estão a desaparecer dos salões e das grelhas de partida das corridas – no WEC já foram inclusivamente banidas.

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Tive oportunidade de perguntar a alguns (e algumas) responsáveis em Genebra e às principais visadas (as mulheres), as suas opiniões sobre o tema. Uma das marcas que optou por não recorrer à exposição de mulheres admite que tem receio de afastar as clientes do sexo feminino, “as mulheres hoje têm um papel determinante na escolha do automóvel. Não queremos que tenham um papel passivo, nem queremos ostracizar ou sexualizar nenhum género” – o responsável da marca não quis identificar-se.

Outro responsável foi mais sucinto “é uma não questão. Não imagino um salão sem a presença feminina”. Veremos…

A conversa com uma das modelos – que durante estes dias trabalha no Salão de Genebra – foi mais informal. “O pior? O pior são os saltos (risos). É o segundo ano que estou cá e apenas tive um situação embaraçosa [um piropo mais ostensivo], de resto tem sido uma experiência normal”. “Se me sinto usada? De modo algum. Sinto que estou a tirar partido de um capital que tenho: a beleza. Mas sou muito mais que isso” – durante esta conversa que decorreu num final de tarde, viria a descobrir que a Stephanie (filha de mãe portuguesa) é engenheira industrial.

Numa época em que até o menu infantil de uma conhecida cadeia de restauração deixou de ter brinquedos para “menino e menina“, e que uma marca de roupa decidiu lançar uma coleção “género neutro“, perguntamos: estaremos a ir longe demais?

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Imagens: Razão Automóvel

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