Ao volante do Mazda MX-5 (ND): mais do que um regresso às origens

Depois de ter testado de “empreitada” as três gerações do Mazda MX-5, entrei no novo modelo (geração ND) exausto. Mas o cansaço passou depressa…

Por esta altura já devem ter lido mais de 1000 artigos sobre o novo Mazda MX-5 e todos dizem o mesmo: que o Mazda MX-5 (ND) é um “regresso às origens”. Não é bem verdade, mas já lá vou. Primeiro deixem-me repetir algumas coisas que vocês já estão “carecas” de saber…

NOTA: Este artigo faz parte do Especial Razão Automóvel: testámos as quatro gerações do Mazda MX-5

Depois de duas gerações sempre a ganhar peso, a quarta geração do MX-5 quebrou essa tendência. A marca nipónica ouviu as criticas formuladas à geração NC e decidiu submeter o MX-5 a uma dieta rigorosa – nesta versão 2.0 de 160cv o peso total do conjunto ultrapassa marginalmente a tonelada de peso. Os engenheiros da marca levaram esta missão muito sério na tentativa de replicar o comportamento do NA e do NB nesta nova geração, mantendo porém a usabilidade diária do NCMas já sabiam tudo isto, certo? Eu sabia que sim…

“O ND oferece mais luta! Faz tudo de forma mais rápida, mais composta e mais dramática, mas exige de nós uma dose igual de empenhamento e concentração.”

Vamos então às novidades que na minha ótica marcam verdadeiramente esta geração face às restantes. Uma análise que resulta de 2 horas non-stop a derreter pneus no Kartódromo Internacional de Palmela (até esbocei um sorriso ao escrever isto!) e em tantas outras horas ao volante das restantes gerações.

Quanto a mim, o Mazda MX-5 nesta versão 2.0 é muito mais do que um regresso à “génese” do NA: é uma verdadeira evolução da espécie. Sinceramente, acho que essa linha revivalista está reservada à versão ND 1.5 de 131cv – levantando um pouco o véu sobre o ensaio à versão ND 1.5 (publicarei brevemente), posso dizer que as diferenças para a versão 2.0 são maiores do que os 29cv de potência deixam adivinhar.

Ainda com as sensações de conduzir o NA bem presentes na minha cabeça, posso dizer que à parte evidentes diferenças tecnológicas, o ND 2.0 tem uma postura diferente do NA.

Onde o NA é brincalhão, o ND faz-nos abrir os olhos e segurar o volante com firmeza. Caixa, travões, suspensões, motor. É tudo muito mais “afiado”. O ND 2.0 perdoa menos e exige mais.

“A lição a retirar é: não subestimem a conjugação de 160cv atmosféricos e tração traseira, num automóvel com pouco mais de uma tonelada de peso.

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As travagens surgem mais tarde, as acelerações começam mais cedo e a velocidade com que atingimos o apex das curvas é muito superior – quão superior? Fui quase 4 segundos por volta mais rápido no ND do que no NA, o que é uma verdadeira eternidade numa pista tão curta como a de Palmela.

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Como é que hei-de explicar isto… Lembram-se das linhas que escrevi sobre a filosofia Jinba ittai no ensaio ao NA? – a lengalenga do “cavalo e cavaleiro num só corpo”.

Pois bem, imaginem que eu sou cavaleiro e o MX-5 é o cavalo. Se fosse assim, o NA era um cavalo obediente, maduro e compreensivo. O ND também seria um cavalo com estas características só que com mais sangue na guelra (boa… agora estou a falar de peixes) e com um coice mais forte.

O ND oferece sempre mais luta! Faz tudo de forma mais rápida, mais composta e mais dramática que o NA, mas também exige de nós uma dose redobrada de empenhamento e concentração.

“Em pista o Mazda MX-5 ND 2.0 mostrou ser mais dramático e desafiante do que qualquer outro MX-5”

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Não me interpretem mal. O MX-5 ND é um carro fácil de explorar. Mas convém não lhe dar demasiada rédea solta – o Ricardo Neves que o diga! Teve um encontro imediato com uma barreira de pneus – felizmente sem repercussões de maior (só para a sua reputação). Agora é público Ricardo, escusas de agradecer…

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A lição a retirar é: não subestimem a conjugação de 160cv atmosféricos e tração traseira, num automóvel com pouco mais de uma tonelada. Entrei no ND exausto; durante o ensaio revigorei os sentidos com a descarga de adrenalina; e só quando parei é que dei conta do rodeo a que tinha sido submetido o meu corpo.

Em pista o Mazda MX-5 ND 2.0 mostrou ser mais dramático e desafiante do que qualquer outro MX-5. Resta saber sem em estrada, em ritmo de passeio, é melhor do que o NC – a versão mais burguesa de todas.

To be continued pelas estradas da Serra da Arrábida na companhia do Diogo Teixeira…

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