Ao volante do Mazda MX-5 (NB): Querida, estiquei o Miata!

Leram o artigo de ontem sobre a primeira geração do Mazda MX-5? Então já sabem que arranjei a desculpa perfeita para juntar as quatro gerações do MX-5 no Kartódromo de Palmela (KIP).

A desculpa foi «não estava convencido quanto ao mérito do MX-5», disse que precisava de andar nos vários modelos para entender o porquê de tanto hype em torno deste roadster. A Mazda Portugal fez-nos a vontade e emprestou à Razão Automóvel as quatro gerações do MX-5. Pois bem, hoje é dia de escrever sobre o Mazda MX-5 (NB), o segundo da linhagem.

“assim que arranquei, senti-me “à vontade” para começar a «esticar as mudanças e a encurtar as retas» como se não houvesse amanhã”

O Diogo entregou-me a chave do NB e eu dei-lhe as chaves do NA. Depois de ter feito cronos de 1:11 segundos no NA no traçado de Palmela, não me apetecia largar o volante por nada – se a gasolina fosse infinita, ainda hoje lá estava. Larguei-o convencido que ainda dava para “rapar” pelo menos um 1 segundo àquele tempo. Mas como agora anoitece mais cedo, e ainda tinha três MX-5 para testar… ficou para outra altura.

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Antes de me sentar ao volante, dei uma volta (não cronometrada) ao NB. Ao lado do NB, o NA parece um carro de brincar. O NB é maior em todos os sentidos e por conseguinte também é mais pesado, 75kg mais concretamente – ultrapassando a barreira psicológica da tonelada (1065kg em ordem de marcha).

“quando chegou a altura de projetar os bancos devia estar a jogar o Benfica (jamais culparia o meu clube do coração por isto…)”

Para compensar o acréscimo de peso, a Mazda esticou a potência do bloco 1.8 16V para uns simpáticos 146cv (+13cv face ao NA). Não soa a muito, mas quem conhece as motorizações aspiradas dos anos 90 sabe que estes pequenos acréscimos fazem toda a diferença na prática. O motor é cheio em todos os regimes e respira alegremente até ao corte – como é atmosférico, para além do som de escape, ainda somos brindados com um barulhinho delicioso vindo da admissão.

Feitas as considerações iniciais, permitam-me começar a conduzi-lo.

Correndo o risco de ferir a susceptibilidade dos adeptos mais ferrenhos do NA, afirmo convictamente que o NB é melhor que o NA em todos os sentidos, menos no design.

Claro que o british racing green da carroçaria e o ar mais adulto do NB convencem qualquer um (ainda hoje é um modelo bonito). Mas os faróis escamoteáveis e as jantes de 14 polegadas do NA, a fazer lembrar as Minilite inglesas, são elementos que não têm réplica à altura no NB.

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Alto… desculpem! Há mais um parâmetro onde o NA ganha aos pontos ao NB: é na posição de condução. Os engenheiros da Mazda devem ter projetado os bancos do NB numa véspera de feriado, num dia de ano novo, numa segunda-feira de manhã ou numa sexta-feira à tarde – ok, já chega de analogias.

Fizeram tudo bem. Volante, caixa, pedais, etc. Mas quando chegou a altura de projetar os bancos devia estar a jogar o Benfica (jamais culparia o meu clube do coração por isto…). A posição de condução é demasiado alta. Parece que montaram as calhas dos bancos de um camião. Eu não sou alto (tenho 1,74m) e mesmo assim sentia-me demasiado alto no habitáculo – de certeza que há solução after market para isto (para a altura dos bancos, não é para a minha).

“não é ser preciso ser um sobredotado da condução para fazer gritar a borracha”

Como já tinha dado umas voltinhas pela Arrábida ao volante do NB, assim que arranquei, senti-me “à vontade” para começar a «esticar as mudanças e a encurtar as retas» como se não houvesse amanhã. Dinamicamente o NB herdou todas as qualidade dos NA e acrescentou-lhe algumas. Faz tudo de forma mais eficiente e limpa, mas manteve o carácter brincalhão.

NOTA: Este artigo faz parte do Especial Razão Automóvel: testámos as quatro gerações do Mazda MX-5

É extremamente fácil «colar as curvas» mantendo a deriva da traseira de uma curva para a outra. E tal como no NA, no NB não é ser preciso ser um sobredotado da condução para fazer gritar a borracha.

Infelizmente não cronometrámos os tempos do NB, mas acredito que fossem muito semelhantes (na casa do mesmo segundo). Aquilo que o NB ganha em precisão, o NA ganha em agilidade – ainda para mais num traçado onde a velocidade média se situa nuns modestos 63 km/h.

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Onde o NB ganha aos pontos ao NA é fora da pista. No dia-a-dia, no trânsito, na ida às compras, nas escapadinhas de fim-de-semana com a Maria. O habitáculo do NB parece um salão de festas ao lado do NA, oferece mais espaço, ar-condicionado e um rádio digno desse nome. Os consumos são moderados e os bancos (apesar de altos) são confortáveis.

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Fiquei tão adepto do NB que desde esse que dia ando a fazer “contas de cabeça” para comprar um. Acontece que os preços estão cada vez mais elevados (em alguns casos demasiado elevados) e a versão equipada com o motor 1.6 está fora de questão (falta nervo…). Mas eu até compreendo quem pede exorbitâncias por um Mazda MX-5 (NB). Se tivesse um também fazia o mesmo – nem que fosse para me assegurar que ninguém o comprava. Há que procurar…

Amanhã, vou trocar o NB pelo NC. Passem por cá. Para além dos Miatas não nos faltam outros motivos de interesse aqui na Razão Automóvel.

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