Coisas que os putos precisam de saber…

01/06/2015
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Um regresso a um passado não muito distante, onde as coisas eram efetivamente muito diferentes. Os putos precisam de saber como era…

Hoje, Dia Mundial da Criança, é para a petizada que eu escrevo este artigo. Vou contar-vos uma história sobre um passado não muito distante, onde as crianças não usavam cinto, os carros não travavam sozinhos e onde o ar-condicionado era um luxo.

“(…)o entretenimento passava por fazer jogos com as matrículas do carro da frente ou por implicar com o irmão mais novo. Às vezes ambas…”

Os carros nem sempre foram como são hoje. Saibam que os vossos pais, que hoje não descansam (e bem!) enquanto vocês não metem o cinto de segurança, passaram a infância toda sem o usar. Fiquem com uma lista de características dos automóveis e hábitos rodoviários das décadas de 70, 80 e início dos anos 90, que não se vão voltar a repetir:

1- Puxar o ar

Hoje, para ligar o carro, o vosso pai só precisa de carregar num botão, certo? Pois é, mas quando ele era da vossa idade a coisa não era assim tão simples. Havia uma chave de ignição que se tinha de rodar e um botão de ar que se tinha de puxar, que por sua vez que accionava um cabo que ia até uma peça chamada carburador. Nos dias mais frios era preciso alguma mestria para meter o motor a trabalhar. Uma tarefa que hoje é simples na altura podia ser um calvário.

2- Os carros afogavam

O vosso avô deve ter ficado apeado umas quantas vezes por não ter cumprido escrupulosamente o procedimento de arranque acima descrito. Sem electrónica a gerir a admissão a frio, os automóveis da época volta na volta encharcavam as velas com combustível, impedindo a ignição. Resultado? Esperar pela evaporação do combustível ou queimar as velas com um isqueiro (algo mais comum nas motorizadas).

3- Os vidros abriam-se com uma manivela

Botão? Qual botão? Os vidros abriam-se com recurso a uma manivela. Descer o vidro era fácil, subir nem por isso…

4- Ar-condicionado era coisa de ‘gente rica’

Ar-condicionado era uma tecnologia rara na maioria dos automóveis e mesmo assim só estava disponível nas gamas mais altas. Nos dias mais quentes valia o tal sistema de vidros com manivela para refrescar o interior.

5- Não havia cintos nos bancos traseiros

As viagens eram feitas preferencialmente ao meio, com o rabo na ponta do banco e as mão agarradas aos lugares da frente. Cintos? Nem vê-los. Para além do uso do cinto de segurança não ser obrigatório, em muitos automóveis nem sequer existiam.

Quem tinha irmãos sabe muito bem a dificuldade que era disputar aquele lugar do meio tão cobiçado…

6- As bombas de gasolina cheiravam a… gasolina!

Numa época em que o país ainda não tinha sido asfaltado de norte a sul por auto-estradas, as viagens faziam-se pelas reviradas estradas nacionais. Os enjoos eram uma constante e o melhor remédio para os sintomas era parar numa bomba de gasolina. Por algum motivo que o Google certamente poderá explicar-vos, o cheiro da gasolina amenizava o problema. Acontece que hoje as bombas de gasolina já não cheiram a gasolina, fruto da modernidade dos sistemas de abastecimento.

7- Ajudas eletrónicas o quê?

Ajuda eletrónica? A única ajuda electrónica disponível dizia respeito à sintonização automática do rádio. Os anjos da guarda chamados ESP, ABS e TC ainda não tinham sido criados pelos deuses da eletrónica. Infelizmente…

8- O entretenimento era puxar pela imaginação

Cumprir mais de 6 horas de viagem era algo relativamente comum. Sem telemóveis, tablet’s e sistemas multimédia a bordo, o entretenimento passava por fazer jogos com as matrículas do carro da frente ou por implicar com o irmão mais novo. Às vezes ambas…

9- O GPS era de papel

A voz da senhora simpática que interrompe as emissões de rádio não vinha das colunas de som, vinha da boca da nossa mãe. O GPS era uma tecnologia exclusiva das forças militares e quem queria aventurar-se por caminhos que não conhecia tinha de fazer fé num papel chamado mapa.

10- Viajar era uma aventura

Por todos estes motivos e mais alguns, viajar era uma verdadeira aventura. As histórias sucediam-se ao sabor dos quilómetros, numa viagem que nunca era interrompida pelo barulhos dos viciantes aparelhos eletrónicos. Éramos nós, os nossos pais, o carro e a estrada.

Quem hoje tem sensivelmente 30 ou 40 anos – mais coisa, menos coisa… -, entende muito bem a evolução que o automóvel sofreu nas últimas décadas. Nós, gerações de 70 e 80, crescemos a experimentar coisas nos automóveis e nas viagens que mais nenhuma geração vai viver. Talvez por isso tenhamos a obrigação de lhes contar como era. Nas férias de verão que se aproximam a passos largos, desliguem os aparelhos eletrónicos e contem-lhes como era. Eles vão gostar de ouvir e nós vamos gostar de contar…

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Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.