Vale a pena comprar um automóvel premium?

07/04/2015
4.938 views
Share Button

Qualidade, status social, potência, performance, são algumas das razões apontadas para comprar um automóvel premium. Mas será que vale a pena?

Antes de aprofundar a temática que serve de mote a esta crónica, não será de todo inútil recuar 15 anos e visitar a indústria automóvel antes do novo milénio. Época em que os utilitários das marcas mais modestas eram francamente rudimentares face aos familiares de marcas com maior prestígio. Nos primeiros, o ar-condicionado era normalmente um opcional (caro), os airbag’s apenas marcavam presença do lado do condutor, as motorizações eram fracas, o espaço pouco e o equipamento de série reduzido. Nos segundos, a conversa era outra…

Os utilitários na sua generalidade eram isso mesmo: utilitários. Serviam para pequenas deslocações e eram limitados em viagens mais longas. Com família e bagagens, o caso ficava ainda pior. O comportamento deixava a desejar, o conforto seguia a mesma linha e era notório o hiato qualitativo e tecnológico para os outros segmentos.

Regressando ao presente, das marcas low-cost às marcas premium, a indústria automóvel evoluiu tanto que há mínimos que hoje todos os carros preenchem, até os mais modestos. O botão de ar-condicionado passou a marcar presença no habitáculo de todos, a segurança (activa e passiva) já não é um opcional, e outros equipamentos vão-se democratizando cada vez mais. Cruise-control, vidros eléctricos, fecho centralizado, rádio digno desse nome, GPS…

Exemplos paradigmáticos desta evolução são os modelos utilitários (segmento B) e as marcas low-cost. Estão maiores, o rigor de construção é francamente bom, os motores são modernos e o equipamento generoso. Não comprometem em nenhum campo. Portanto, se a questão fosse meramente racional, seria difícil não olhar para estes automóveis como verdadeiras alternativas às propostas premium, uma vez que fazem tudo como estes fazem por uma fracção do valor: viajar do ponto A ao ponto B.

Porém, a escolha entre uns e outros já não é uma questão tão racional como no passado. Resolvidas as questões de segurança, habitabilidade e conforto, hoje a diferenciação das marcas premium para as marcas low-cost faz-se acima de tudo pelo design, conteúdo tecnológico, performance e requinte. O valor acrescentado hoje é esse, mais que nunca.

Se há uns anos a escolha entre uns e outros tinha que ver – questões financeiras à parte… – com alguns pressupostos racionais, hoje em dia esses mesmos pressupostos são cada vez mais de índole emocional. Quando já todos oferecem níveis de segurança e conforto satisfatórios, os premium tiveram de começar a oferecer algo mais. Daí que o investimento das marcas premium no appeal dos seus carros seja cada vez maior.

O carro deixou de ser um mero transporte, para passar a ser uma extensão da nossa personalidade, um statement de quem somos e do que gostamos de fazer. Respondendo à questão inicial: os premium fazem por isso tanto sentido hoje quanto faziam no passado. Talvez até mais, mérito das marcas.

Ainda assim, entre uns e outros, às vezes pergunto-me: o que faria eu com todo aquele dinheiro? Muita coisa certamente. A verdade é que por um lado os low-cost hoje são bons, e os premium estão melhores que nunca. A carteira que decida, em qualquer dos casos, ficaremos bem servidos. No passado talvez não fosse assim.

Não deixe de nos seguir no Facebook e Instagram

Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.