Ikuo Maeda: “Nasci para desenhar carros desportivos”

30/04/2015
934 views
Share Button

Ikuo Maeda é o responsável máximo pela nova linguagem de design da Mazda, a KODO. Em Milão, durante a Semana de Design, conversámos sobre o passado e futuro da marca.

A Semana de Design de Milão é hoje uma referência para a Mazda, um dos patrocinadores do evento. Durante uma semana o bairro de Brera, a zona mais boémia da cidade, transforma-se numa gigante sala de exposições com arte espalhada um pouco por todo o lado.

Para a Mazda esta é uma oportunidade de levar até à Europa a cultura japonesa e no coração europeu do design, ergueu o Mazda Design Space, local onde tinha encontro marcado com o Director Global de Design da Mazda, Ikuo Maeda.

A equipa de Ikuo Maeda foi a responsável por desenhar o Mazda RX-8 e a anterior geração do Mazda 2, ainda antes de no dia 1 de Abril de 2009 ter assumido os destinos do design da marca. Depois seguiu-se o desafio de desenhar um nova linguagem de design para a Mazda. A KODO, design em movimento, é o aproximar da marca nipónica às suas origens, à cultura japonesa e a Hiroshima, o berço da Mazda.

O pai de Ikuo Maeda, Matasaburo Maeda, desenhou o mítico RX-7. Inevitavelmente a nossa conversa pairou sobre um futuro RX-7, ainda que nunca directamente porque Ikuo Maeda deixou bem claro que não podia falar sobre produtos, só sobre design.

Segundo Ikuo Maeda, a KODO é “Alma em Movimento”, o momento em que a chita está prestes a apanhar a presa. É a aproximação da Mazda à cultura japonesa, aos samurais, à resiliência.

Maeda San, vamos começar pelo início. Quais foram os desafios que enfrentou ao aplicar a uma marca global como a Mazda uma nova linguagem de design?

No passado a Mazda não tinha uma linguagem comum, um grupo de produtos. O que nós pretendemos fazer com a KODO não é criar uma série de produtos todos iguais, que não passem de uma cópia uns dos outros. O desafio para nós foi criar esta linguagem, sem que cada produto perdesse a sua personalidade e ao mesmo tempo levar a evolução a cada produto Mazda.

Sobre a evolução da KODO, como é que espera que esta evolua nos próximos anos? No ano passado disse que o ponto mais alto da KODO seria este ano, quando todos os modelos recebessem a nova linguagem de design da marca. Sendo que esse momento já chegou, qual é o próximo passo?

(Risos) A sua questão é de difícil resposta…eu diria que começamos agora a desenvolver o design de uma nova geração de produtos.

Então se neste momento a chita está prestes a apanhar a presa, nos próximos anos vai estar a comê-la?

(Risos) Essa é boa! Não vamos parar de colocar emoção no nosso design, no futuro vamos criar uma maior ligação entre a estética japonesa e o design dos produtos Mazda.

O seu pai, Matasaburo Maeda, desenhou o Mazda RX-7.

Sim.

Daqui a 5 anos a Mazda celebra uma data especial (100º aniversário) e sei que na sua opinião um modelo “RX” tem de ter um motor rotary, por ser um “RX”. Veremos, nos próximos anos, o desenho de um novo carro desportivo?

Pessoalmente tenho uma profunda ligação aos carros desportivos e adoro desportivos. Eu diria que nasci para desenhar carros desportivos e que gostaria de poder fazer algo nesse sentido. Recomendo-lhe que fique atento ao que aí vem…

Na verdade, para além de gostar de automóveis desportivos, também os conduz e corre neles.

Certo!

Então só lhe posso dizer…vamos a isso!

Sim!

Na chegada a Milão esperava-me um livro, “Hiroshima Rising”, cortesia da marca. Um registo fotográfico de Jochen Manz que espelha a ligação da Mazda a Hiroshima e às pessoas que lá vivem e trabalham nas suas instalações.

Partilho convosco uma frase deste livro, que antecede dezenas de imagens:

“Para a maioria das pessoas, Hiroshima trás à memória os eventos trágicos de Agosto de 1945. O que essas pessoas muitas vezes não sabem é que Hiroshima é a cidade natal da Mazda.”

 ACTUALIZAÇÃO – Entrevista 2016: Ikuo Maeda: “próximo RX será revelado o mais brevemente possível”

Segue a Razão Automóvel no Instagram e no Twitter

Tags
,

Cofundador da Razão Automóvel | Aos 20 anos, o pai passou-lhe um Alfa Romeo para as mãos com 300 mil quilómetros e disse-lhe: "Faz-te à vida." Desde então tem feito amizade com mecânicos e condutores de reboque por este país fora. Na nossa primeira reportagem, ficamos apeados na A1.