Opinião: o fim anunciado das grid girls no desporto automóvel

Há assuntos sobre os quais gostava de não ter razão. Este é um deles. Começou a onda proibição das grid girls no desporto automóvel.

Em Março publiquei aqui na Razão Automóvel uma opinião onde criticava (com fervor, demasiado talvez…) algumas das decisões em torno da promoção do desporto automóvel nos últimos anos. Entre mensagens de apoio e críticas – todas bem recebidas – desdobrei-me a tentar responder a todos. Não consegui, como sempre.

Um dos pontos que foquei nesse texto, foi precisamente a questão da presença feminina nos paddocks.  Pois bem, qual não foi o meu espanto quando li no início deste mês, o anúncio da FIA a decretar a extinção das grid girls no Campeonato Mundial de Resistência (WEC). Campeonato que teve a sua prova inaugural este fim-de-semana – corrida fantástica, by the way…

As mulheres fazem falta em todo o lado. Seja à frente dos destinos de uma nação ou debaixo de um guarda-sol numa grelha de partida

A FIA argumenta que o papel da mulher mudou. Gerard Neveu, o manda-chuva do WEC diz mesmo que as grid girl “são passado” e que “a condição das mulheres é um pouco diferente agora”. É impossível não concordar com ele. Efectivamente o papel da mulher na sociedade tem vindo a mudar, e bem. No entanto, não vejo onde é que a emancipação da mulher seja beliscada pela sua presença nas grelhas de partida. Acho até que a igualdade de género seja um assunto demasiado sério para ser misturado com estas questões menores.

As mulheres, tanto quanto nós homens, são donas da sua imagem. Que façam o que quiserem com ela. Onde alguns querem ver uma instrumentalização do corpo feminino, eu prefiro ver uma elogio às suas formas. À sua beleza. Estou certo que os pilotos antes da derradeira prova de velocidade, do eventual encontro com a morte a mais de 300km/h, prefere ter uma simpática mulher a segurar-lhe o guarda-sol do que um anafado engenheiro de telemetria. Do conforto do meu sofá confesso, também prefiro isso.

Machista eu? Nem de perto. Sou pela igualdade de oportunidades, de tratamento e de escolha. O resto que fique à consideração de cada individuo. E se a escolha de alguns indivíduos é ser grid girl (ou boy) que sejam. Simplesmente temo que esta tendência se estenda às restantes disciplinas (F1, WTCC, etc.). E não há motivo para isso. As mulheres fazem falta em todo o lado. Seja à frente dos destinos de uma nação ou debaixo de um guarda-sol numa grelha de partida. Tal como nós, homens. No que a mim diz respeito, sentirei a sua falta nas grelhas de partida.  A beleza que acrescentam ao desporto é inquestionável, e a sua extinção é uma enorme perda para o capital de simpatia e atractividade do desporto. Acho que esta guerra pela igualdade género deva ser feita, mas não é a este nível, até porque como dizia mais acima, este é um assunto demasiado sério para se misturar com questões menores como esta.

Assinado,

Guilherme Costa. Fã da Michele Mouton (não por ser mulher mas por ter sido uma grande piloto) e da Margaret Thatcher (não por ser mulher mas por ter sido uma grande estadista). A lista podia continuar, mas já perceberam onde quero chegar não já? Que se dane o género…

michele mouton

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Imagem: F1Socialdiary

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