Estrada Nacional 120: vergonha nacional

23/04/2015
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No país das autoestradas sem fim e dos milhõ€s das PPP’s, as estradas nacionais estão votadas ao abandono. E não é pelos utilizadores, é pelas autoridades competentes. Uma delas é a Estrada Nacional 120.

Mais um fim-de-semana, mais uma fuga. Ainda é quinta-feira e já só penso em ver Lisboa pelas costas. As minhas escolhas, para estas pequenas escapadelas de fim-de-semana, normalmente têm quase sempre Grândola, Vendas Novas e Évora como destino. Azimute, Alentejo! Caramba, ainda falta…

As outras regiões que me perdoem, são apenas as minhas raízes a falar mais alto. São viagens que faço com um sorriso nos lábios e… dores nas costas. É lamentável o estado a que chegou a Estrada Nacional 120, no troço entre Alcácer do Sal e Grândola.

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São as raízes que se estendem até à faixa de rodagem, os buracos que parecem fundações de um prédio, a péssima marcação que parece ter sido feita por um piloto de Fórmula 1, convidando a ultrapassagens no limite da visibilidade, etc. Um horror, principalmente para quem não conhece. Uma manta de retalhos que alguns teimam em apelidar de estrada nacional, e que todos os anos reclama demasiadas vidas, não só dos que lá ficam, mas também dos que ficam cá, vivendo a ausência daqueles a que a Estrada Nacional 120 roubou a vida.

en 120 estrada nacional 120 1

No regresso, o caminho faz-se no sentido inverso. Mas antes de entrar na autoestrada da Marateca, sigo em frente pela Nacional 10, salivando até à Meca do choco frito, Setúbal. É aí que me dou conta que a administração da E.P – Estradas de Portugal S.A não deve andar de carro. Talvez de helicóptero, não sei…

Na beira da estrada jaz há meses uma viatura abandonada. Tenho assistido lentamente ao desmantelamento público da viatura. Todos os meses, com menos umas peças, e agora sem peça nenhuma. Já só resta o chassi. Sintomático da atenção que as autoridades responsáveis prestam a esta via…

carro abandonado grandola setubal

Quando vou para Vendas Novas ou Évora, a estrada é outra mas o cenário é o mesmo. O estado do pavimento da Estrada Nacional 4 (Montijo/Pegões) faz lembrar o rosto de um adolescente atacado sem dó nem piedade pelo acne: só buracos e altos. Chegar aos cruzamento de Pegões é um suplicio para homens e máquinas. Pelo caminho, é possível dar boleia a uma ou outra hérnia discal, furar um pneu ou até nem chegar…

Quem não conhece a N4, fique sabendo que é “apenas” a estrada nacional mais movimentada do Alentejo. Com um fluxo diário de milhares de viaturas. Estranho país o nosso, não é? Que se endividou até à raiz dos cabelos para construir autoestradas que ninguém usa, e vota ao abandono estradas que são usadas por todos.

Infelizmente, acredito que este cenário se repita de norte a sul do país. Por este andar, o país que ainda esta semana ganhou a distinção para a melhor estrada do mundo, arrisca-se a ganhar também a distinção para a pior estrada do mundo. Candidatas não faltam, incluído da Estrada Nacional 120… falta é quem assuma a responsabilidade.

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Imagem em destaque: C.M. de Grândola / Imagens secundárias: Facebook da Petição pela EN 120

Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.