Seat Leon Cupra 280: um espanhol com tiques germânicos

Privei durante uma semana com o Seat Leon Cupra 280, o modelo mais potente da história da marca espanhola (update: vamos esquecer a existência de um Cupra R «recauchutado» para 310cv, apenas comercializado na Suiça) . Espero que o destino nos volte a marcar um encontro.

Na vida, há felizes coincidências. Na semana em que testei o Seat Leon Cupra 280 a minha agenda colaborou como não é costume. Não há nada pior do que ter à porta do escritório um desportivo com 280cv de potência e ter de passar o dia agarrado a folhas de excel e a processadores de texto – ainda que para a Razão Automóvel o faça com muito gosto.

Compromissos à parte, pude fazer aquilo que mais gosto. Levantar-me da cama cedo, levar o Frank à rua – não sabem quem é? O Frank é a minha mais recente aquisição, um cachorro “marca” Beagle -, e finalmente arrancar em direção à Arrábida escapando da autoestrada na primeira oportunidade.

Seat Leon Cupra 280

Nos primeiros quilómetros de pára-arranca em Almada, fui registando as primeiras impressões do Seat Leon Cupra 280. Eu sei que é um lugar comum e que já é uma característica praticamente transversal a todos os desportivos de hoje, mas tenho de dizer isto: é impressionante como um hatchback talhado para condução com a «faca nos dentes» se deixa levar no trânsito de forma tão dócil. Se não tivermos o display a mostrar os consumos (9,6 litros de média em trânsito citadino) então é que reina mesmo a calma. Rádio nas notícias e deixar o transito rolar…

“Acham que quando lá cheguei parei para cumprimentar alguém? Claro que não. Aviei logo duas voltas ao circuito…”

Por fora, o design do Cupra vai fazendo amizade com quem olha. Não desfazendo do design da anterior geração, com a assinatura de Walter de Silva, o novo Leon está melhor. Há menos drama e mais maturidade nas linhas. Nota-se que Seat está num novo estágio da sua vida enquanto marca.

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Já livre do trânsito urbano, desliguei o «modo dócil» (Confort) e seleccionei o «modo de guerra» (Cupra) no ecrã tátil que domina a consola central. O ralenti sobe de regime, as suspensões adaptativas ficam mais duras e a resposta da caixa e do acelerador acompanham a nova postura.

O Seat Leon Cupra 280 transfigura-se por completo, mas ainda assim, não ao ponto de assustar como o Renault Mégane RS Trophy. Se levasse companhia no banco do pendura, talvez fosse possível descer a Arrábida sem que a minha companhia de ocasião vociferasse alguns impropérios “Guilherme tu és________ (preencham com um adjetivo à vossa escolha) – isso aconteceu com o Renault…

Podemos até seguir à mesma velocidade, mas a percepção de controlo e velocidade no Leon é diferente. Nota-se que o Seat Leon Cupra 280 apesar de ser espanhol, frequentou as melhores escolas germânicas. Aliás, não foram raras as vezes que me lembrei do Volkwagen Golf R durante este ensaio (recordo que ambos partilham o mesmo motor e o mesmo chassi).

“(…) a essência do Seat Leon Cupra 280. É mais ou menos isto: doses massivas de diversão, sem que tenhamos de visitar um ortopedista todos os meses”

Em menos de nada já avistava a Avenida Luisa Todi. O destino final era o Kartódromo Internacional de Palmela (KIP). Lá, à minha espera, estava a equipa da Razão Automóvel para um comparativo que publicaremos em breve: Renault Clio RS Vs Seat Ibiza Cupra. Acham que quando cheguei ao KIP parei para cumprimentar alguém? Claro que não. Aviei logo duas voltas ao circuito…

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Definitivamente é um circuito curto para a «raça» dos 280 cv e 350 Nm do motor 2.0 TSI deste Cupra. Por outro lado, permitiu ao diferencial XDS+ mostrar toda a sua competência ao colocar com galhardia a potência no alcatrão ainda frio do traçado palmelense. O torquesteer é praticamente nulo e a capacidade de tração apenas não é superior porque até a mais pegajosa borracha tem limites. Obviamente, o peso também não ajuda.

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Deixando as curvas lentas do KIP para trás, em estrada aberta, duvido muito que o Volkswagen Golf R conseguisse fugir-me, apesar de ter mais 20cv de potência e tração integral. Mas só um frente-a-frente poderia dissipar estas dúvidas.

A tónica deste Seat Leon Cupra 280 é mesmo essa: confiança. A direção é muito justa e direta, é rápida e deixa-nos ler bem o asfalto, a traseira roda com postura, e o motor catapulta-nos com decisão (5.7 segundos dos 0-100km/h). E ter confiança num carro é, como sabem, meio caminho andado para desfrutar da condução.

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Com o ensaio dinâmico do comparativo feito, era tempo de regressar a Sintra com o Diogo ao volante para escrever algumas linhas para a Razão Automóvel. Ir no lugar do pendura permitiu-me apreciar alguns detalhes do Seat Leon Cupra 280 que ainda não tinha notado. Por exemplo, a luz ambiente muda consoante o modo seleccionado: no modo Confort a luz é branca e no modo Cupra a luz é encarnada.

Só no caminho é que nos lembrámos que não tínhamos tirado uma única fotografia ao Leon – acontece aos melhores. Parámos no Estoril para resolver o problema. E foi entre uma fotografia e outra, depois da azáfama do dia, que descobri a essência do Seat Leon Cupra 280. É mais ou menos isto: doses massivas de diversão, sem que tenhamos de visitar um ortopedista todos os meses (até porque em andamentos vivos os consumos andam na casa dos 14 litros, e não há dinheiro para tudo). É desportivo, mas é utilizável.

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É uma proposta equilibrada sem cair na armadilha de ser demasiado racional. Se conseguirem controlar o pé direito o motor nem consome muito (8.6 litros em andamentos moderados) e por 41.460 euros podem ter um verdadeiro desportivo na garagem repleto de equipamento que não compromete no dia-a-dia.

Fotografia: Diogo Teixeira

MOTOR 4 Cilindros
CILINDRADA 1998 cc
TRANSMISSÃO DSG de 6 velocidades
TRAÇÃO Dianteira
PESO 1415 kg.
POTÊNCIA 280 cv / 6000 rpm
BINÁRIO 350 Nm / 1750-5300rpm
0-100 KM/H 5,7 seg
VEL. MÁXIMA 250 km/h
CONSUMO 6,6 lt./ 100 km (consumo médio anunciado)
PREÇO 41.460 euros

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