Mercedes SLK 250 CDI: o roadster das quatro estações

17/12/2014
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Vivaldi compôs as Quatro Estações e a Mercedes seguiu-lhe o exemplo na vertente automóvel, criando um roadster que vai bem em qualquer época do ano. Só é pena que o motor 250 CDI não seja tão melodioso quanto as composições do músico italiano. Esqueçam o frio, e descubram connosco o prazer de rolar a céu aberto.

Gosto de dividir tudo por grupos, facilita-me a vida. Neste caso, vou dividir os condutores em dois grupos: os que gostam de descapotáveis e os que nunca andaram num descapotável. Não gostar de descapotáveis é um grupo que não existe. Andar de cabelos ao vento, com a vista para as estrelas é das melhores sensações que podemos experienciar a bordo de um automóvel. Portanto, a meu ver não há espaço para a frase “não gosto de descapotáveis”.

Uma afirmação que faz ainda menos sentido quando o automóvel em questão é o Mercedes SLK 250 CDI, um roadster que junta os melhor de dois mundo: a segurança e o conforto acústico de uma capota metálica, com a liberdade a céu aberto que só um descapotável pode oferecer -vamos esquecer as motas por momentos, algo que já nem a Mercedes faz.

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Tudo isto envolto num pacote tipicamente Mercedes-Benz: qualidade de construção irrepreensível e a máxima atenção ao detalhe. Alias, são estas as grandes vantagens do Mercedes SLK 250 CDI. Ao contrário da maioria dos roadsters, no SLK não temos de abdicar de nada para andar a céu aberto.

“Despachado e desportivo quanto baste, não é um modelo talhado para atacar curvas ao som da Cavalgada das Valquírias de Wagner”

Está lá tudo sem termos de abdicar de nada. O conforto, o lado prático de uma mala com capacidade convincente e até os consumos moderados (6.8 litros aos 100km foi o valor que alcançámos no final do teste), graças aos préstimos do voluntarioso motor 250 CDI de 204cv que apenas peca por ser mais ruidoso do que aquilo que se espera num modelo da «marca da estrela». Em suma, no SLK não há lugar para os defeitos que normalmente associamos aos roadsters.

Em estrada, é tudo o que se espera dele: despachado e desportivo quanto basta. Não é um modelo talhado para atacar curvas ao som da Cavalgada das Valquírias de Wagner mas é divertido e rigoroso. Nota-se no entanto que está mais talhado para abordar a estrada – seja um troço citadino ou de montanha –  ao som das Quatro Estações de Vivaldi durante todo o ano, faça chuva ou sol, frio ou calor. Sempre.

Alias, foi numa noite em que as temperaturas atingiram dígitos que me faziam desejar um par de pantufas e uma chávena de chá que gostei mais de andar a céu aberto com o SLK 250 CDI. Em parte, mérito do sistema Air Scarf da Mercedes que através de condutas de ar embutidas nos bancos emitem ar quente na direção das nossas cabeças. Simples mas eficaz.

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Em suma, um modelo que agrega em si as vantagens do roadsters com o sentido prático dos carros convencionais. Uma fórmula que está atualmente na sua 3ª geração e que promete continuar a coleccionar seguidores no seio da marca alemã. Uma heresia para os puristas dos descapotáveis por não ter uma motorização a gasolina e capota em lona? Talvez.

Mas façam como eu, experimentem e deixem-se convencer pelas suas virtudes. Entre aquilo que idealizamos e as necessidade reais do dia-a-dia, o Mercedes SLK 250 CDI é dos melhores compromissos do mercado.

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Fotografia: Thom Van Esveld

MOTOR 4 Cilindros
CILINDRADA 2.143 cc
TRANSMISSÃO Automática 7 Vel.
TRAÇÃO Traseira
PESO 1570 kg.
POTÊNCIA 204 CV / 3.800 rpm
BINÁRIO 500 NM / 1800 rpm
0-100 KM/H 6,5 seg
VEL. MÁXIMA 244 km/h
CONSUMO COMBINADO 5,0 lt./ 100 km (valores da marca)
PREÇO 68.574€ (unidade ensaiada c/ 14.235€ de opcionais)

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Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.