Os clássicos e o doce sabor da nostalgia

24/07/2014
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Mais um episódio da minha cruzada em busca do verdadeiro prazer de condução, num regresso nostálgico ao passado.

Começam a tentar convencer-me de que estou a passar por uma crise de meia idade aos 29 anos. Dizem aqui pela nossa redação que ando nostálgico, que só procuro clássicos e que ando demasiado filosófico. Blá, blá, blá. «Pronto, admito, gosto de carros mais velhos!». Que raio… quem não gosta?

Tudo começou por causa deste artigo sobre a falta de charme da modernidade. Por causa das imagens desse artigo, até dizem que tenho uma agenda escondida com uma tabaqueira. É o vale tudo. Que disparate. Logo eu, que não fumo. Malta dos automóveis junta durante muito tempo dá nisto…

“Na prática esta é uma questão com rasteira, muito semelhante à que as mulheres nos costumam pregar: “E tu Guilherme, preferes loiras ou morenas?”

Para já, a minha cruzada é apenas uma, e não é pelo tabaco, é pela definição do prazer de condução. Não é fácil, confesso. Até porque o fenómeno assume várias formas. Uma delas está retratada neste vídeo, que aliás, motivou a escrita deste texto.

Este vídeo retrata na perfeição, aquela que talvez seja a mais pura e a mais gratificante forma de conduzir: a bordo de um clássico, com luvas calçadas para o efeito, numa estrada revirada, com uma paisagem bucólica e um farnel para aquecer o estômago nas pausas –  como bom alentejano, gosto de petiscos. Por acaso no vídeo nem apareceu nenhuma patuscada, mas deu-me a vontade de petiscar enquanto escrevia, desculpem.

RELACIONADO: A relação entre os rituais de condução e o prazer de conduzir

Se gosto apenas de clássicos? Claro que não. Sou um defensor do progresso e da tecnologia. Alias, a Razão Automóvel é uma sinal destes tempos hi-tech. Nós somos digitais, não somos «papel». Com muito orgulho devo dizer.

prazer de condução 1

Mas acho que vou desistir de tentar definir algo tão sensorial como conduzir. Tenho de pôr termo a esta inquietação. Carros clássicos ou modernos?  Na prática esta é uma questão com rasteira, muito semelhante à que as mulheres nos costumam pregar: “E tu Guilherme, preferes loiras ou morenas?”. Raios, sei lá eu!

Os meus olhos contemplam todas as formas de beleza com a mesma alegria – às vezes, demasiada alegria.

“os melhores prazeres da vida não têm rótulos, data, lugar nem limite de idade”

No entanto, se no que a mulheres diz respeito não hajam preferências no meu coração (ainda que só haja lugar para uma de cada vez), no que a carros diz respeito não resisto às curvas de uma carroçaria Pininfarina da década de 60 ou 70. É para aqui que vai a minha preferência.

Mas para que não restem dúvidas que no meio de tanta nostalgia e espírito vintage também gosto de carros modernos, aqui fica uma fotografia minha, num momento de muita «intimidade» com um Mazda MX-5:

mazda mx-5 gui

E não. Respondendo à afirmação inicial, não estou a passar nenhuma crise de meia idade aos 29 anos. Talvez esteja é a descobrir, que os melhores prazeres da vida não têm rótulos, data, lugar nem limite de idade. A menos que seja um bom vinho. Aí é diferente. De todo o modo, sempre ouvi dizer que toda a boa regra tem a sua excepção. Verdade?

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Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.

  • Tito Cardona

    Se achas grave passar por essa fase aos 28, no meu caso, aos 27 ainda pior, ate porque já dura há muito… Desde o lancia delta de 89 ou o alfa romeo giulietta dos 70’s em que andava no banco de trás quando era miúdo, sempre preferi os clássicos.. A carrinha volvo P1800 que vi numa feira de clássicos na exponor também me deixou a pensar… Um E-type, um stingray, um spider, um gt500… Um simples carocha, um ford cortina ou uma pão de forma … Escolher era o pior desafio… Mas se pensarmos bem, faz toda a lógica ter um clássico em Portugal .. Não paga um imposto absurdo, o seguro é mais barato, é mais resistente a estas estradas dignas de um cenário de guerra, e são lindos ! Quanto aos consumos, uma boa solução passa pelo gpl (até porque eu não abdico dos motores gasolina nem que a vaca tussa) .. Esqueçam os turbos, centralinas, problemas eléctricos e carros que estacionam por nós. Para quem realmente gosta de conduzir, um carro tem de ser um clássico 😉
    P.s troco o meu alfa por um 635csi a gpl 😉