Revolução total na Alfa Romeo

No rescaldo da extensa apresentação do plano empresarial da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) para o período de 2014-2018, destaca-se a total reinvenção da Alfa Romeo, que se deverá juntar à Maserati e à Jeep como um dos símbolos verdadeiramente globais do grupo.

Com uma apresentação brutalmente honesta pelo seu CEO, Harald J. Wester, sobre o estado actual da marca, recordou desde o glorioso passado nos circuitos que não encontrou reflexo nas contas da empresa até às últimas duas décadas em que se diluiu e destruiu o ADN da Alfa Romeo pela integração dentro do grupo Fiat e mencionando até o Arna como o pecado original. Hoje é um pálido reflexo do que outrora fora, pelo que entra em cena um plano ambicioso, ousado e… dispendioso para recuperar a imagem, o produto e, claro, conseguir a rentabilidade e sustentabilidade de um símbolo histórico.

A RECORDAR: No início do ano já apontávamos as linhas gerais deste plano.

O plano assenta em 5 atributos essenciais que vão de encontro ao que deve ser o ADN da marca, que servirão de pilares para o desenvolvimento da sua futura gama:

– Mecânicas avançadas e inovadoras
– Distribuição de peso nuns perfeitos 50/50
– Soluções técnicas únicas que permitam aos seus modelos destacarem-se
– Relações peso-potência exclusivas nas classes em que estarão presentes
– Design inovador, e com estilo reconhecidamente italiano

Alfa_Romeo_Giulia_1

Para garantir o sucesso e eficácia da implementação deste plano, a solução é radical. A Alfa Romeo será separada da restante estrutura da FCA, tornando-se uma entidade própria, até ao nivel da gestão. É uma ruptura total com o estado actual das coisas e é a forma encontrada de realmente se tornar uma alternativa credível aos poderosos rivais germânicos, sem entrar em compromissos devido a estratégias comuns, como acontece na generalidade dos grupos automóveis.

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Com as operações do dia-a-dia a terem no comando dois líderes veteranos da Ferrari, os principais reforços virão no campo da engenharia, com a Ferrari e Maserati a providenciarem parte dessa nova equipa, e que resultará no triplicar em número até 600 engenheiros em 2015.

Este reforço massivo criará uma arquitectura referencial onde assentarão os futuros modelos globais da Alfa Romeo, juntando-se ao uso de mecânicas exclusivas e outras adaptadas da Ferrari e Maserati. Os resultados deste total reinventar estratégico e operacional da marca serão vísiveis com a apresentação de 8 novos modelos entre 2015 e 2018, com produção exclusivamente italiana.

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Chamada de Giorgio, a nova plataforma que servirá de base a praticamente todos os novos modelos planeados, responde à clássica disposição de motor longitudinal frontal e tracção traseira. Sim, toda a futura gama da Alfa Romeo transmitirá a potência ao solo através do eixo traseiro! Permitirá também tracção às quatro, e como cobrirá múltiplos segmentos, deverá ser bastante flexível relativo às dimensões. Para garantir a rentabilidade desta arquitectura, deverá encontrar lugar igualmente em modelos da Chrysler e Dodge, que garantirão os volumes necessários.

A gama Alfa Romeo em 2018

Será uma Alfa Romeo bastante diferente da que conhecemos hoje. O 4C, que para a marca é a representação perfeita do seu ADN, e foi o ponto de partida para a reinvenção desta, será o único modelo que reconheceremos do portefólio actual. Continuará a evoluir, como temos assistido, e no final de 2015, conheceremos a versão QV, mais desportiva, assumindo-se como o topo da gama. De qualquer forma, todos os novos modelos da marca deverão incluir uma versão QV.

O actual MiTo será simplesmente extinto, sem sucessor. A Alfa Romeo iniciará a sua gama no segmento C, onde actualmente encontramos o Giulietta. E, se todos os modelos terão tracção traseira, também o sucessor do Giulietta a terá, chegando ao mercado algures entre 2016 e 2018, e, para já, com previsão de duas carroçarias distintas.

Alfa-Romeo-QV

Mas antes, no último quadrimestre de 2015 chegará o vital sucessor do Alfa Romeo 159, conhecido, para já, como Giulia, mas ainda sem confirmação oficial do nome. O futuro concorrente do BMW série 3 tem previstas também duas carroçarias, com o sedan a chegar em primeiro lugar.

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Acima deste, já no segmento E, teremos o pináculo da gama Alfa Romeo, também em formato sedan. Originalmente destinado a partilhar plataforma e mecânicas com o Maserati Ghibli, revelou-se uma opção demasiado onerosa, pelo que o recuperar deste projecto só foi possível graças à nova plataforma que está a ser desenvolvida.

Novidade absoluta será a entrada no lucrativo e crescente mercado dos crossovers, e logo com duas propostas, mais focados no asfalto do que nas capacidades off-road, cobrindo os segmentos D e E, ou como referência, equivalentes aos BMW X3 e X5.

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Além do 4C como modelo especializado, foi anunciado um novo modelo que se situará acima deste, que será o modelo halo da Alfa Romeo. Só podemos especular, mas há a forte possibilidade de derivar do já confirmado para a produção Maserati Alfieri.

Não só foi dado a conhecer os futuros modelos, como foram anunciadas, de forma geral, as futuras motorizações que os equiparão. Os V6 regressarão à marca de Arese! Derivados dos propulsores já conhecidos da Maserati, equiparão as versões de topo dos seus modelos. Haverá V6 otto e diesel, com números generosos. O V6 a gasolina, por exemplo, deverá começar nos 400cv. O grosso das vendas será providenciado por motorizações de 4 cilindros, duas delas otto e uma diesel.

Tudo isto deverá implicar avultado investimento de aproximadamente 5 milhares de milhão de euros durante os próximos 4 anos. E tal aposta em produto, que ampliará expressivamente a gama da marca, deverá equivaler a vendas de 400 mil unidades anuais em 2018. Um salto de gigante, considerando as 74 mil unidades vendidas em 2013, e que deverão ser menos ainda este ano.

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