Maserati Granturismo: obrigado Itália!

22/04/2014
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Desportivo, esbelto e latino. O Maserati Granturismo é tudo isto e muito mais. E porque será substituído em breve, prestamos-lhe uma última homenagem aqui na rubrica Sonhos em V.

Há carros que não precisam de ser os mais rápidos, nem os mais potentes, nem tão pouco os mais confortáveis para conquistarem um lugar na nossa garagem de sonho. Um desses exemplares é o Maserati Granturismo.

Lançado no já longínquo ano de 2007, o Maserati Granturismo nunca foi brilhante em nenhum ponto em particular. Durante  todos estes anos foi inclusivamente batido constantemente pela concorrência, uma e outra vez, vezes sem conta! Principalmente por um modelo vindo dos lados de Estugarda. Não sei se conhecem, chama-se Porsche 911. Já ouviram falar?!

Então se assim é, o que faz este carro entre os nossos Sonhos em V? É simples. Por alguns instantes parem de ler e olhem para ele. A resposta vai entrar-vos pela retina, alojar-se no cérebro e contagiar-vos os sonhos.

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Agora sim, continuem a ler. Olharam bem para ele? Esbelto e latino, como eu dizia. Se repararem, o Maserati Granturismo é um automóvel claramente orgulhoso das suas origens: estúdios de Pininfarina. Um automóvel com esta beleza não precisa de ser o  melhor em nada, basta-lhe não comprometer em campo nenhum. E o Maserati Granturismo não comprometia em campo nenhum.

Competente em toda a linha, o Granturismo era bem comportado em estrada mas não era o melhor; era bem acabado mas não tinha acabamentos referência; tinha perfomances interessantes mas não eram viscerais; era confortável mas não era um sofá rolante. Há carros que são assim: não precisam de ser os melhores em nada, para serem melhores que quase todos os outros.

Há uma aura no seu desenho, nas suas linhas, que contagiam qualquer apaixonado por automóveis. E depois há o motor V8 atmosférico de origem Ferrari (com uma potência que vai desde os 400cv da versão base, até aos 460cv da versão MC Stradale). Um motor que não sendo um epíteto tecnológico conserva a mística e o trabalhar característicos de uma linhagem que faz carros de sonhos desde os primórdios do automóvel.

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Mais do que números, potência e velocidade, o Maserati Granturismo sempre foi mais dado a experiências sensoriais, às vezes até platónicas. Como verdadeiro Grande Turismo que é, há todo um romantismo em seu redor. Não se fica pelas pistas, nem sequer pensa em pistas – excetuando a versão MC Stradale que é a versão mais desportiva e viril do Granturismo. Nas versões mais civilizadas pensa apenas em estradas abertas, estradas de montanha, estradas perdidas pela Europa. Enfim, verdadeiras estradas. Com mais de 400cv de potência é óbvio que anda depressa (muito depressa…) mas não é essa a sua filosofia.

Quilómetros a fio,  percorridos a velocidades estonteantes, com paisagens, pessoas e experiências para serem vividas. É esse o seu habitat natural: entre quilómetros de asfalto, conversas com desconhecidos, cafés bem quentes e muitos litros de gasolina queimada. E no fim – na despedida de um qualquer lugar… – quando voltamos a cara para o caminho que temos em diante, é aquele esbelto e escultural carro italiano que nos espera no estacionamento.

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Deve ser nesse momento que todas as nossas dúvidas se dissipam: é aquele carro e não outro que gostávamos de estar a conduzir.  Um verdadeiro Grande Turismo, o Maserati Granturismo.

Se tudo correr bem, daqui a alguns anos tenho encontro marcado com ele, algures em Itália em Stelvio Pass, ou em Furka Pass na Suiça (duas das minhas estradas de sonho) – por essa altura já a Troika não assombra os sonhos dos portugueses.

Tenho a certeza que vou estar mais careca, mais gordo – enfim, mais velho… – enquanto o Maserati Granturismo vai permanecer tão jovem e belo quanto hoje. É assim com todos os verdadeiros carros italianos: intemporais! O mesmo não se pode dizer de nós, a idade connosco tem o efeito inverso. Mas parece que trás consigo outras coisas. Nomeadamente a capacidade de apreciar carros assim, que não são os melhores em nada, mas que nos fazem sonhar acima de tudo. Por mais esta criação: obrigado Itália!

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Diretor Editorial e co-fundador da Razão Automóvel. Tem 29 anos, ama os automóveis mas tem uma paixão secreta: as duas rodas! Praticante de todo-o-terreno, iniciou-se nas lides da condução aos comandos de um Citroen Ax. Não resiste a umas boas curvas, seja no asfalto ou numa folha de papel.

  • Eduardo Santos

    Concordo plenamente, atrevo-me a dizer que é um dos carros mais belos da história automóvel.

  • Luís

    Quase concordo, não é melhor em nada? No seu todo é o melhor, sem dúvida, porque consegue reunir tudo de bom de todos os automóveis num só.